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Monday, April 14, 2008

LX – Revistas Municipais (séculos XIX - XX)

«Os seis contos de réis que Vossa Magestade Mandou entregar à Camara em 10 do corrente, não chegaram a pagar as férias atrazadas. As contas pelos géneros consumidos, que importam em mais de 14:000$000, chegaram ao termo de serem pagas. O Cofre da Municipalidade apenas encerra 600$000 réis em papel, e o Governo de Vossa Magestade deve à Câmara só de prestações perto de cem contos de réis. Eis o estado actual da Câmara.»

A exposição, dirigida pela Câmara Municipal de Lisboa (CML) à rainha D. Maria II, remonta ao ano de 1836 e consta da Synopse dos Principaes actos administrativos da Câmara Municipal de Lisboa, a primeira publicação periódica da edilidade e, por isso mesmo, em destaque na mostra que a Hemeroteca Municipal de Lisboa (HML) inaugurou no dia 1 de Abril, terça-feira, às 18 horas. Em exposição estarão mais de três dezenas de títulos, do espólio das colecções da HML e do Gabinete de Estudos Olisiponenses.
Dar a conhecer aos munícipes a sua actividade, submetendo-se assim ao seu juízo crítico, era o objectivo destas primeiras publicações. Por essa altura, já as questões do Tesouro estavam na ordem do dia e a CML não parecia disposta a deixar os seus créditos por mãos alheias, ainda que reais, e por isso ameaçava: «Assim, não tomando o Governo de Vossa Magestade na consideração, que merece, a mencionada Consulta para deferi-la como a razão pede, e a justiça manda, a Câmara vai affixar Editaes avisando os povos para não so surprehender que a Cidade vai ficar immunda, e sem luz, por motivo, de não receber ao menos as prestações designadas para esse fim.»
Rapidamente, as publicações de natureza mais informativa e formal evoluíram estabelecendo novos horizontes: divulgar a história de Lisboa e as suas riquezas patrimoniais, propagandear novos valores, ideias e doutrinas, enfim, projectar a “imagem” que os detentores do poder consideram mais adequada aos seus propósitos.
Falamos, portanto, de uma colecção da maior importância para o conhecimento e história do município de Lisboa, cujo valor patrimonial é inquestionável, a vários títulos e que, no quadro desta iniciativa da HML, é agora revelada em toda a sua amplitude e diversidade, além de viabilizar a formação, na HML, de uma colecção completa dos jornais e revistas municipais lisboetas, independentemente do seu suporte (papel, microfilme ou digital).
Refira-se ainda que, na impossibilidade de exibir todas estas publicações optou-se por aquelas que, pela sua história e percurso, se afiguraram como as mais importantes, destacando, deste conjunto, as revistas com uma abrangência geral, ou, se quisermos, transversal, e as revistas municipais com propósitos eminentemente culturais.

A mostra LX – Revistas Municipais (séculos XIX - XX) será ainda o pólo dinamizador de uma ampla e diversificada Programação que contempla:

- O Ciclo de três Conferências A CML e os seus Periódicos. Da Sinopse à Revista Municipal (1834-1988), que se desenvolverá nos meses de Abril e Maio, na Sala do Espelho, às quintas-feiras, a partir das 18 horas:
1.ª Conferência:
10/04 – A Imprensa Institucional: o estado da questão, por Mário Matos e Lemos (Jornalista e Investigador do Centro de Estudos Interdisciplinares do século XX da Universidade de Coimbra) ;
2.ª Conferência:
17/04 – As Revistas Municipais de Lisboa (1933-1973): história e propaganda, por Rita Correia (CML/HML);
3.ª Conferência:
28/05– A Imprensa Municipal Lisboeta Oitocentista: subsídios para a sua história, por Álvaro Costa de Matos (CML/HML)

- A Mesa Redonda A Revista Municipal de Lisboa (1939-1988): histórias & memórias, que conta com a participação de António Trindade e Nuno Ludovice, da CML, e de Orlando Capitão, Fernando Castelo Branco, Salete Salvado e Irisalva Moita, antigos directores e redactores da Revista Municipal. A conversa será moderada por Álvaro Costa de Matos (CML). Está agendada para o dia 29/05, 18 horas, na Sala do Espelho da HML.

- Uma Mini-feira de periódicos municipais, onde se poderão adquirir, a preços simbólicos, algumas destas edições (findas e em publicação). Terá lugar na Hemeroteca, durante os meses de Abril e Maio.

- Visitas guiadas à Tipografia Municipal, para conhecer as oficinas gráficas (Estrada de Chelas) onde se produziram e ainda produzem muitas das edições lançadas pela CML. As visitas são sujeita a inscrição prévia e decorreram ao longo dos meses de Abril e Maio.

- No sítio da Hemeroteca Digital,
http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/, o Anuário da CML (1935-1937) passará a figurar ao lado de outros títulos do “fundo institucional” já digitalizados, como os Anais das bibliotecas, arquivo e museus municipais (1931-1936), o Boletim cultural e estatístico (1937), a Revista Municipal (1939-1973) e a sua sucedânea Lisboa: revista municipal (1979-1988). Serão também colocadas em linha as comunicações apresentadas no Ciclo de Conferências e outros recursos informativos produzidos no âmbito da organização deste projecto.

Vale a pena.

Monday, November 5, 2007

A Imprensa e o Jornal de Domingo










Mais novidades no sítio da Hemeroteca Digital, com a colocação em linha de dois novos títulos, A Imprensa e o Jornal do Domingo. A escolha recaiu, desta vez, sobre o fundo histórico da Hemeroteca Municipal de Lisboa, com a digitalização de dois importantes periódicos publicados em Lisboa no século XIX. A Imprensa, publicada entre 1885 e 1891, num total de 72 números, foi dirigida por Afonso Vargas. O subtítulo revista científica, literária e artística traduzia desde logo todo um programa, confirmado depois em editorial assinado pelo director. Mas, apesar da abertura da revista "a toda a ordem de questões", ela revelará uma abordagem especial à problemática da Imprensa, com a publicação de vários artigos sobre a tipografia em Portugal, a indústria do livro, o jornalismo, a imprensa da universidade, entre outros, temas do maior interesse para o conhecimento da História da Imprensa Periódica. O Jornal do Domingo publicou-se um pouco mais cedo, entre 1881 e 1883, e contou, desde o número 12, com a direcção literária de Pinheiro Chagas. Como colaboradores, destacam-se Brito Aranha, Bulhão Pato, Gervásio Lobato, Guerra Junqueiro, Júlio César Machado, Latino Coelho, Mariano Pina, Rafael Bordalo Pinheiro, e muitos outros. Foi essencialmente um jornal de entretenimento para o grande público, abundantemente ilustrado, ainda que com a entrada de novos colaboradores a actualidade política e literária ganhe relevância. Lisboa é também motivo de notícia, com crónicas sobre os seus costumes, espectáculos, a par dos tradicionais relatos de viagens ou artigos sobre as últimas descobertas científicas. Tudo isto à distância de um clique, na http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/

Tuesday, October 9, 2007

LISBOA: REVISTA MUNICIPAL, II SÉRIE (1979-1988)


Em 1979, após “alguns anos de constrangido adormecimento”, a Revista Municipal de Lisboa reiniciava a sua publicação, com um novo título, Lisboa: revista municipal, e as “necessárias adaptações”. Como então escrevia Aquilino Ribeiro Machado, presidente da CML, os tempos eram outros, pelo que a revista, “além de continuar a acolher gostosamente os ensaios dos historiógrafos de Lisboa”, deveria “ser, igualmente, uma larga janela, através da qual os citadinos mais interessados possam olhar o que se passa no interior da sua edilidade”. Pretendia-se ainda que a “nova” revista se constituísse, por vocação, como “um espaço dominial próprio”, o de Lisboa, onde ficasse “registado tudo o que de mais significante se for produzindo para o conhecimento de Lisboa, quer remontando ao seu passado, quer apontando para o seu futuro”. E foi efectivamente o que aconteceu, até 1988, ano em que terminou a publicação. Razões de sobra para que a Hemeroteca Municipal, através da sua Hemeroteca Digital, disponibilizasse na Internet a colecção completa desta segunda série, aqui. Um manancial de dados e informações sobre a cidade de Lisboa, agora à distância de um simples clique. Com isto, a biblioteca digital de periódicos da CML dá mais um passo importante na digitalização e difusão em rede do fundo documental local da Hemeroteca. Para breve, prometem-nos a primeira série da revista, publicada entre 1939 e 1973, num projecto que inclui a digitalização e o acesso em linha a milhares de imagens e textos sobre a capital. Fique atento…

Tuesday, September 4, 2007

Pessoa, et al, à distância de um clique


Maio de 1922. O meio cultural lisboeta é surpreendido com uma nova revista de arte e literatura, a Contemporânea. A surpresa, ou mesmo escândalo, era provocada pelo arrojado modernismo gráfico e literário ensaiado por Almada Negreiros, Jorge Barradas, Eduardo Viana, Fernando Pessoa e José Pacheco. Agitar e convergir todos os que se interessavam pela arte em Portugal era o seu propósito, a par do interesse pelos movimentos vanguardistas da Europa. O que se traduzia numa "revista para gente civilizada, uma revista expressamente para civilizar gente". Fundamental para conhecer a renovação cultural que Lisboa vai conhecer na década de 20 do século XX, a Contemporânea está, a partir de agora, disponível na Internet, em novo brinde da Hemeroteca Digital, aqui. Entre as novidades desta edição em linha destaque para a criação de sumários electrónicos, com acesso directo aos textos ou ilustrações dos autores, uma secção própria para os índices da revista, a disponibilização do programa e número espécimen da revista, de 1915, a divisão dos PDF de cada número, aumentando assim as facilidades de impressão ou de importação das imagens, e, por último, uma introdução histórica à Contemporânea. Tudo boas notícias. Delicie-se com as provocações dos modernistas portugueses. Velhos tempos!!!